Atualmente tenho convivido muito com protetores de animais devido à ligação do meu trabalho com a causa.
Acho que todos temos um pouco de protetor em nós ou, pelo menos, nos importamos com os bichinhos. Mas tem um comportamento que me deixa, no mínimo, admirado: pessoas que tentam preencher a figura do filho ou do companheiro com animais em suas vidas.
É muito fácil julgar a quem quer que seja, exceto a mim mesmo. Sei que estes tutores dedicados frequentemente ouvem advertências e recomendações a não se envolverem tanto. Também são acusados, dentre outras coisas, de se importarem mais com animais que com seres humanos.
Existe um falso dualismo presente na população em geral: homens x animais. Quem cuida de animais não cuida de crianças, quem defende a causa despreza as gentes. Por que não seria possível fazer a ambos, preocupar-se com os seres humanos e não humanos?
Por isso eu penso que alguns protetores cometem um erro ao considerarem-se satisfeitos em dispensar seus cuidados exclusivamente aos animais. Estes, por vezes, doam-se totalmente à promoção do bem-estar de pets, mas não se movem na direção do bicho-gente.
Outro equívoco está em preferir a solidão em companhia de gatos ou cães, por exemplo, a tolerar os defeitos sem número da nossa espécie. Assim como o peludo de quatro patas é insubstituível, o espaço do irmão/amigo/filho não pode ser preenchido de outra forma.
É muito mais fácil ser amigo dos animais do que de seres humanos. O desafio é ser amigo de ambos!
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