quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Poema das Minorias


Eu sou o filho da senzala, eu sou negro
Sou do sertão, sou da seca, nordestino
Eu sou o pobre do barraco, eu sou pobre
Sou quem sofreu de ser pequeno e ainda sofre

Eu ando a pé, quando muito vou de trem
Nunca estudei, só trabalho se aparece
Eu sou quem bebe só pra não morrer de frio
Eu sou o rio poluído, eu sou o rio

Se não conhece, o prazer é todo meu
Eu te incomodo, te acabo c'o sossego
Faço barulho, tenho cheiro, ainda bem
Não fosse isso, eu era menos que ninguém

(Ricardo Smyllie)

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